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06/07/2008 - 11h53

Livro reúne cartas sobre Rio no tempo de D. João 6º

Lisboa, 6 jun (Lusa) - O cotidiano da corte portuguesa no Brasil, entre 1811 e 1821, é relatado em cartas escritas por um funcionário da Biblioteca Real da Ajuda que acompanhou a família real e agora publicadas pela Biblioteca Nacional de Portugal.

É a primeira vez que é publicada a totalidade dos 206 documentos que compõem a correspondência entre Luís Joaquim dos Santos Marrocos e outros familiares, como o próprio pai.

"Inicialmente ele critica o clima, o estado da cidade etc. Mas acaba por se afeiçoar e casar no Rio de Janeiro com uma sinhazinha, como ele diz, e de quem teve dois filhos", disse à Lusa o diretor da Biblioteca Nacional, Jorge Couto.

As cartas foram encontradas na escrivaninha do pai na Biblioteca da Ajuda, quando este abandonou o cargo que ali desempenhava. Das 206 cartas, 163 são endereçadas ao pai, as outras à irmã e outros familiares.

Personagem

Luís Joaquim Marrocos conseguiu emprego como praticante da Biblioteca Real da Ajuda, onde seu pai, um professor laico em Belém, trabalhava como ajudante.

"Tinha freqüentado a Universidade de Coimbra, mas era um boêmio e o pai consegue-lhe aquele emprego. É nessa condição que acompanha a segunda remessa de volumes da biblioteca para o Rio de Janeiro, em 1811", explicou Jorge Couto.

Segundo Couto, Luís Joaquim Marrocos estava encarregado dos manuscritos e nas suas cartas escreve como "diligencia para cair nas boas graças dos poderosos".

"Ele conta que o príncipe regente, D. João, levantava-se às sete da manhã e ele pontualmente logo pela manhã ia sempre beijar-lhe a real mão", disse Couto.

As cartas revelam, porém, outros pormenores para além das questões particulares de Luís Joaquim Marrocos, que cortará relações com a família em 1821, ao decidir ficar no Brasil, onde se torna partidário de D. Pedro, futuro imperador.

"Ele refere as manobras de bastidores da Corte e os diversos grupos que circulavam, faz alguns comentários sobre determinadas personalidades", disse Jorge Couto.

Frei José Mariano da Conceição Veloso e Manuel Francisco Carvalhosa, filho varão do primeiro visconde de Santarém, "são duas personalidades que menospreza".

"Veloso é um botânico e o autor de 'Florae Fluminensis', e o segundo visconde de Santarém desempenhará um papel importantíssimo, no futuro, na cartografia", salientou Jorge Couto, segundo o qual, "relativamente a Manuel Francisco, Marrocos faz a justiça de afirmar que é um assíduo freqüentador da biblioteca".

Livro

A publicação com grafia atualizada, de "Cartas do Rio de Janeiro, 1811-1821", de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, insere-se na política de publicação de fontes documentais, promovida pela Biblioteca Nacional. A iniciativa faz parte das comemorações dos 200 anos da partida da família real para o Brasil.

A obra inclui dois estudos, de Ana Cristina Araújo sobre o contexto das cartas e a partida da Família Real para o Brasil, e um outro de Luís Marques sobre as marcas de água.

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