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12/01/2008 - 21h03

Começa a contagem regressiva para o Oscar, que ainda é uma incógnita

Los Angeles (EUA), 12 jan (EFE) - As cédulas que decidirão os
vencedores do Oscar, premiação concedida pela Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, chegam hoje a Los
Angeles, onde a realização da maior festa do cinema em fevereiro
continua uma incógnita devido à greve de roteiristas.

A 24 horas do anúncio dos vencedores da edição do Globo de Ouro
mais sombria da história do cinema, a sorte está lançada para o
Oscar, o prêmio mais importante da indústria cinematográfica
americana, que este ano está em xeque enquanto seguem em frente os
protestos dos grevistas.

Se a que é considerada a ante-sala natural dos prêmios da
Academia ficou reduzida a uma simples entrevista coletiva, muitos se
perguntam agora em Hollywood o que pode ocorrer no dia 24 de
fevereiro com o Oscar se os roteiristas e os atores também decidirem
boicotar a cerimônia.

Os responsáveis da festa e a emissora de televisão "ABC",
encarregada da transmissão da premiação, afirmam que seus planos não
sofreram, por enquanto, qualquer mudança e prometem que os atores
voltarão a desfilar pelo tapete vermelho mais famoso do mundo e que
os prêmios serão entregues normalmente.

"Não sofremos qualquer estado de pânico. Estamos preparando a
cerimônia e vamos seguir em frente com ela", disse o presidente da
Academia, Sid Ganis, citado pelo portal "Imdb.com", especializado em
notícias e informação da sétima arte.

Enquanto isso, o que com certeza começa hoje nos escritórios da
empresa PricewaterhouseCoopers de Los Angeles é a apuração dos votos
dos mais de seis mil membros da Academia das Artes e Ciências
Cinematográficas.

Deste resultado sairão, primeiro, as indicações que serão
anunciadas no dia 22 de janeiro e, depois, os nomes que podem levar
a desejada estatueta para casa.

O filme britânico "Desejo e Reparação" desponta como o maior
indicado ao Oscar, seguido de seus grandes rivais "Jogos do Poder" e
"Conduta de Risco".

Um grande favorito a conseguir uma indicação é o ator espanhol
Javier Bardem, por seu papel como assassino em série no filme dos
irmãos Ethan e Joel Coen "Onde os fracos não têm vez".

As indicações deste ano despertam especial interesse, pois muitos
em Hollywood questionaram o peso que normalmente se dá ao Globo de
Ouro para saber por quais filmes a Academia se encantará, devido à
ausência da festa.

Os prêmios concedidos pela Associação de Imprensa Estrangeira de
Hollywood costumam ser a plataforma de lançamento público para os
filmes menos comerciais e para os indicados menos conhecidos, que,
após conquistarem um Globo de Ouro, vêm suas chances de ganhar o
Oscar aumentar bastante.

Foi isso que ocorreu com uma quase desconhecida Hillary Swank,
que em 1999 venceu o Globo de Ouro de melhor interpretação dramática
por "Meninos não Choram" e, semanas depois, repetia a atuação no
Oscar, ganhando a estatueta de melhor atriz, o que lançou sua
carreira ao estrelato.

O mesmo aconteceu com Angelina Jolie, que, nesse mesmo ano,
conquistou muitos pontos ao conseguir o beneplácito da Associação de
Imprensa Estrangeira por seu papel em "Garota, interrompida".

A situação se repete com a jovem Jennifer Hudson, que, após sair
do programa "American Idol" venceu o Globo de Ouro por "Dreamgirls -
Em Busca de um Sonho" e repetiu o feito mais tarde no Oscar.

Este ano, no entanto, jovens talentos como Marion Cotillard,
indicada como melhor atriz de musical por sua aclamada interpretação
de Edith Piaf em "Piaf - Um Hino ao Amor", ficarão sem a publicidade
necessária para chegar ao Oscar com um caminho bem percorrido.

"A cerimônia dos Globos de Ouro pode impulsionar um indicado e
fazê-lo ganhar as graças do público sem lugar para dúvidas, mas este
ano isso não vai ocorrer", disse ao jornal "USA Today" a diretora da
versão digital da respeitada revista "Variety", Anne Thompson.

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