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14/07/2008 - 13h10

Curadora destaca obras marcantes da exposição de Marcel Duchamp

ANTONIO FARINACI
Colaboração para o UOL, em Berlim
Dentre os diferentes tipos de trabalhos desenvolvidos por Marcel Duchamp e reunidos na exposição "Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra 'de arte'", alguns foram destacados pela curadora Elena Filipovic como referências da obra do artista.

Maior mostra dedicada ao artista em São Paulo, "Uma obra que não é uma obra 'de arte'", abre suas portas a partir do dia 15 de julho, e é parte das comemorações dos 60 anos do MAM.

Veja abaixo uma seleção de trabalhos presentes na exposição, destacados pela curadora Elena Filipovic durante a entrevista concedida ao UOL.

Réplicas de "Ready-mades" assinadas por Duchamp. Todos os ready-mades hoje existentes em qualquer museu do mundo são cópias. Os originais foram destruídos ou perdidos, ainda durante a vida de Duchamp. Durante os anos 50 e 60, o artista assinou novas séries de réplicas desses trabalhos. A exposição traz a famosa "Roda de Bicicleta", o mictório entitulado "Fonte" e o "Porta-Garrafas".

"La Boîte de 1914" ("A Caixa de 1914"). Numa época em que a fotografia era um meio relativamente novo e ainda não bem aceito como uma forma de arte, Duchamp fotografa suas próprias anotações e as exibe numa caixa. "As pessoas fotografavam paisagens, coisas consideradas 'belas'. Ninguém antes tinha utilizado a câmera como uma fotocopiadora", explica Elena Filipovic. A obra é uma das primeiras a refletir o interesse do artista na reprodução, tema que influenciará gerações posteriores de artistas, entre eles Andy Warhol.

"Boîte-en-Valise" ("Caixa-Valise"). Duchamp realizou 300 exemplares dessa obra, uma espécie de mala-museu que traz dentro 69 réplicas miniaturizadas de trabalhos seus. Apenas 20 exemplares foram chamados "Deluxe" ("de luxo") pelo artista, o que atestava a existência de uma obra "original" entre as réplicas. A exposição traz duas "Boîte-en-Valise", uma delas do modelo "Deluxe" que foi presente de Duchamp ao pintor chileno Roberto Matta (1911-2002). Nela, ele faz um espécia de auto-retrato, com mexas de seu próprio cabelo, pelos das axilas e da púbis.

"L.H.O.O.Q.": Em francês, a pronúncia dessa sigla produz um trocadilho que pode ser traduzido como "ela tem fogo no rabo". Trata-se da famosa "Monalisa de bigode", um dos trabalhos mais conhecidos de Duchamp. A exposição terá uma versão editada pelo artista nos anos 60. O tema, que é recorrente na produção de Duchamp, aparece também num trabalho do artista (apenas um esboço do cavanhaque) feito sob encomenda para um livro.

"Objetos eróticos", série que Duchamp realizou ao longo dos 20 anos em que trabalhava secretamente no "Étant Donnés". "Feuille de Vigne Femelle" ("Folha de Parreira Feminina"), "Objet Dard" ("Objeto Dardo") e "Coin de Chasteté" ("Cunha de Castidade"). Esse último, uma cunha de broze encrustada em um pedaço de plástico para prótese dentária, foi dado por Duchamp a sua mulher, Teeny, como uma espécie de aliança.

"Étant Donnés: 1º La Chute d'Eau/2º Le Gaz d'Éclairage" : esta obra conclusiva do pensamento de Duchamp levou 20 anos para ser completada e foi feita em segredo pelo artista. O título quer dizer algo como "Dados: 1º A Queda d'Água/2º O Gás de Iluminação", e faz referência aos elementos que fazem parte da composição hiperrealista da obra. A instalação original está permanentemente montada no Museu da Filadélfia e compreende uma porta de madeira (de aproximadamente 240 cm por 170 cm) com dois pequenos furos, através dos quais se vê a imagem de uma mulher nua, reclinada, com um lampião na mão e uma queda d'água ao fundo. A exposição do MAM terá uma "reprodução virtual", em uma pequena sala. "Considero que essa obra é uma exposição em si, mais do que uma instalação, pois é uma súmula das preocupações de Duchamp com a maneira como se deve exibir uma obra", conta Filipovic.
EVENTOS NO PARQUE DO IBIRAPUERA
Divulgação
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"Grande Vidro", ou "A noiva desnudada por seus celibatários, mesmo", é outro original que não sai do Museu da Filadélfia. Um imenso painel de vidro com mais de dois metros de altura, o original tem rachaduras que impedem seu transporte, sob o risco de partir-se de vez. A exposição do MAM receberá uma réplica feita nos anos 90, a partir do projeto original de Duchamp, que vem da coleção do Moderna Museet, de Estocolmo.




"MARCEL DUCHAMP: UMA OBRA QUE NÃO É UMA OBRA 'DE ARTE'"

Quando:
de 15 de julho a 21 de setembro. De terça a domingo e feriados, das 10h às 18h
Onde: MAM - Parque do Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3
Telefone: (0/xx/11) 5085-1300
Quanto: R$ 5,50
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