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17/05/2008 - 19h01

Jaques Wagner decreta luto oficial de três dias na Bahia; Lula manifesta pesar

Da Redação*
O governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou luto oficial de três dias no Estado da Bahia devido à morte da escritora Zélia Gattai.

Raimundo Pacco / Folha Imagem
Zélia Gattai (1916-2008)
TRAJETÓRIA DE ZÉLIA GATTAI
Jaques Wagner lamentou a "perda muito grande para todos nós, pela expressiva figura intelectual que marcou época na literatura", e lembrou a união entre Zélia e o escritor Jorge Amado: "Agora acredito que eles voltarão a ficar juntos em outra dimensão", disse o governador.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também demonstrou pesar pela morte da escritora através de nota oficial: "nascida em São Paulo e baiana de coração, Zélia foi um símbolo da força, da doçura e perseverança da mulher brasileira", afirmou Lula.

A escritora Zélia Gattai Amado morreu às 16h30 deste sábado (17), aos 91 anos, em Salvador, devido a uma parada cardio-respiratória. Gattai estava internada desde o dia 17/4, quando passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino.

O corpo será velado durante todo o domingo no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, Salvador, e depois será cremado. As cinzas de Zélia Gattai serão espalhadas pelo jardim da Casa do Rio Vermelho, em Salvador, assim como ocorreu na ocasião da morte de seu marido, o escritor Jorge Amado, em 2001.

A escritora nasceu em 1916 em São Paulo, onde foi criada. Junto aos pais, imigrantes italianos, participou do movimento anarquista no início do século 20. Aos 20 anos, casou-se com o intelectual e militante comunista Aldo Veiga, com quem teve o filho Luiz Carlos, em 1942.

Zélia conheceu Jorge Amado em 1945, quando ambos trabalhavam pela anistia de presos políticos. A partir de então, Zélia auxiliou o processo de preparação e revisão dos livros do marido. Com o escritor, Zélia teve dois filhos: João Jorge, nascido em 1947, e Paloma, em 1952.

Sua estréia na literatura deu-se apenas em 1979, quando começou a escrever suas memórias. Seu primeiro livro, "Anarquistas, Graças a Deus", recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária. Antes disso, em 1963, ela organizou fotobiografia de Amado, intitulada "Reportagem Incompleta".

* Atualizada às 20h02
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