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16/10/2007 - 17h23

BP UOL: Marco Luque defende os motoboys, sua inspiração para personagem da "Terça Insana"

Da Redação
Criador do personagem Jacksonfive, motoboy que define como "filósofo urbano", o ator Marco Luque defendeu os trabalhadores conhecidos também como "cachorro-louco" no Bate-papo com Convidados UOL desta terça-feira (16).

"Meu personagem diz: 'motoboy não quebra retrovisor, ele retira os que não são usados'. Tenho moto e entendo o que ele pensa. Muito motorista fica no celular, não usa seta e acaba comendo a faixa, fechando o motoqueiro, fazendo barbeiragem. Se você pensar que o cara quase perdeu a vida ou uma perna, fica barato perder só um retrovisor", disse o integrante do elenco do "Terça Insana" que gravou sua participação na série de esquetes "Confissões Insanas", da TV UOL, como Jacksonfive.

Bastante bem-humorado, o ex-jogador profissional de futebol comentou como faz para compor seus personagens, revelou o motivo de gostar de interagir com a platéia, imitou alguns personagens de desenhos animados e, quando questionado sobre trabalhos na televisão, concluiu: "Já apareceram convites, mas nada que me desse a liberdade que tenho no teatro. Não procuro o caminho mais fácil, procuro o caminho que me deixe orgulhoso de mim".

Luque fez coro aos colegas de palco, Grace Gianoukas e Roberto Camargo, ao afirmar que a diretriz do grupo é fazer personagens sem preconceito ou estereótipos, mas que isso não significa ser politicamente correto. "Somos politicamente incorretos. Falamos o que precisa ser falado, sem censura, com muito palavrão aliás. Mas acredito que tudo bem, pois todo mundo usa palavrão em um momento de emoção, é bom, evita úlcera", brincou.



Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 586 internautas.

(03:11:57) Marcelo Tas: Você conseguiu um feito inédito: humanizar a figura do motoboy, geralmente demonizada pela mídia com a ajuda deles mesmos. Quando surgiu seu interesse pelo personagem motoboy?

(03:12:04) Marcelo Tas: Qual a tese dos lactobacilos vivos?
(03:13:16) Marco Luque: Eu tenho moto, ando junto com eles e vejo esta situação. Como procuro por personagens simples, do povo, vi que precisava ter um motoboy. As pessoas não têm paciência no trânsito e eu na condição de motociclista vejo que é o próprio sistema que faz esta massa aparececer, é gente que quer que as coisas aconteçam, mas não quer ver os motoboys. O motoboy é o lactobacilo vivo. O transporte público não supre as expectativas, é tudo cheio, seja metrô ou carro. Esta cidade não foi feita para que os carros andem com uma pessoa só. O fenômeno que acontece é o motoboy, mas são seres humanos. Claro que há os cachorros loucos. Eu recebi um cara que é de uma empresa de motoboys. Ele foi no teatro e achou fantástico, peguei o seu cartão, ele quis contar fatos.

(03:14:23) Marcelo Tas: O que fazia antes do TI?
(03:15:08) Marco Luque: Eu fazia humor em um grupo chamado Comédia ao Cubo, só que era em um bar pequeno, mas foi uma escola muito interessante. Antes disso passei pelo Astros em Cena.

(03:17:48) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Geovanna Morcelli/UOL)

(03:15:05) Marcelo Tas: Como foi sua aventura como jogador de futebol profissional no exterior?
(03:20:11) Marco Luque: Fui jogador profissional. Aos 18 sempre fui muito bom com os esportes como o vôlei, mas o futebol de repente começou a acontecer. Como o meu pai sempre mexeu com futebol, foi juiz, técnico na China, ele me colocou em um time em Santo André. Depois fui para os exterior aos 21 anos fazer testes e estágios em clubes. Detestei a vida de jogador, não é nada fácil, muita solidão, uma vida muito dura, não gostei. A vida boa é a da mulher do jogador, mas a dele não é fácil. Ele acorda, vai treinar, volta do almoço e vai treinar novamente. O tempo livre que ele tem é para descansar. Jogava como atacante na segunda divisão, tomava muita porrada e tinha muita contusão. Eu fui embora porque eu fiquei doente. Estava andando de metrô e uma velha deu uma espirrada, naquela hora eu percebi que peguei uma gripe, uma bactéria que devia estar entubada. Daí fiquei gripado, todo entupido. Peguei um tipo de gelol e coloquei dentro do nariz, fiquei muito mal. A velhinha foi um sinal, nunca fui tão religioso como naquela época... Ela que me espirrou de lá...
(03:22:18) Marco Luque: Depois fui monitor de acampamento em São Bento do Sapucaí, um lugar maravilhoso, um paraíso. Foi difícil me desgrudar de lá. Tinha que fazer mil coisas para chamar a atenção das crianças. E foi aí que percebi que tinha aquela facilidade. Quando gritava ninguém me ouvia, mas quando fazia mínima era um silêncio. Quando saí comecei a trabalhar como garçom em eventos, depois como mímico etc.

(03:24:56) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Derek Sismotto/UOL)

(03:25:15) Marco Luque: A Mary Help é linda e maravilhosa, dá um trabalho pesado para o nosso caracterizador.
(03:25:24) Marco Luque: O nome Benê é uma homenagem a um professor de boxe que eu tive. O personagem tem uma academia chamada Estrela Solitária que em inglês é Star Alone (trocadilho com Stallone).
(03:25:33) Marco Luque: O Pepe é carioca e zoa com a namorada, deixa ela puta, mas faz sem noção.
(03:25:39) Marco Luque: O Esquerdinha é fantástico, eu usei um pouco isso de ter sido jogador de futebol. Ele faz embaixadinha, narra um gol que nunca fez e também trata de preconceito porque antigamente o negro não jogava em todos os times.
(03:26:24) Marco Luque: A Dupla Sertaneja japonesa eu faço com o Guilherme Uzeda. É o Cardeal e o Arcoverde. Nós nos divertimos muito... Somos os filhos de Toshiro.

(03:01:23) KytyRS: Boa tarde, Marco e Marcelo! Adorei o Motoboy, já que ele mostra o lado humano dos Motoboys, meu marido é motoboy e sei muito bem os preconceitos e desrespeito que ele sofre todos os dias! Parabéns pelo trabalho e muito sucesso!

(03:01:29) KytyRS: Quem te inspirou para fazer o motoboy? Você teve algum convívio com eles?
(03:28:33) Marco Luque: KytyRS, eu conversei muito, troquei muita idéia com eles. Coloquei o nome da minha moto de Lady Laura porque eu conheci um motoboy que tinha uma moto com este nome mesmo. E ele dizia que era esse nome porque quando ele estava para ir pra casa cansadão chegava para a moto e cantava "Lady Laura, me leve para casa, Lady Laura"...

(03:28:18) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Derek Sismotto/UOL)

(03:28:27) Marcelo Tas: Você conhece o Canal Motoboy?
(03:29:40) Marco Luque: Não conheço. Eles usam cada nome...

(03:01:40) Flip: O que você acha dos motoristas que perdem seus retrovisores?
(03:31:20) Marco Luque: Flip, acho que ele não perde o retrovisor do nada. Como diz o Jackson Five os motoboys não quebram os retrovisores, eles só retiram os que não estão sendo utilizados. Então o cara que perdeu o retrovisor deve ter feito uma barbeirada. Perder um retrovisor não é nada perto do cara que quase perdeu a vida, a perna. Os motoristas reclamam, mas ficam no celular, que é pior do que cigarro, para comer uma faixa é muito fácil.

(03:19:20) Bruno: Marco, vi você na apresentação do 3a. Insana aqui em São José dos Campos. Fiquei apaixonado pela Mary Help - achei sen-sa-ci-o-nal!!! Como surgiu a inspiração?
(03:33:25) Marco Luque: Bruno, você e a torcida do Corinthians. Os seguranças ficam querendo ver ela se trocar depois dos shows. Ela era uma empregada de um amigo meu. Não entendíamos nada do que ela falava. Cozinhava muito bem. Então ficávamos brincando entre os amigos. A história do avião era contada primeiro pelo Silas depois migrou para ela.

(03:28:07) aderbal: Marco, seus personagens são tipos muito bem caracterizados, com requintes de composição admiráveis. Você se espelha em alguém, tem influência de algum comediante que admire?
(03:36:12) Marco Luque: aderbal, eu não diria influência, não pego de ninguém, mas da vida. É uma pesquisa minha, pessoal. Mas gosto muito do Chico Anysio que tem mais de cem personagens, sua caracterização é muito boa. O Golias e o Jô que tem umas sacadas sensacionais. Fora isso gosto muito do Buster Keaton, do Chaplin...

(03:28:10) taty: Marco, eu e meu noivo fomos este feriado para Caraguá, apenas para assistir Terça Insana, pois em SP encontrei dificuldade de conseguir um bom lugar. Valeu muito a pena todo trânsito para descer, pois adoreiiii. Parabéns!! Durante a apresentação da Faxineira, vc não aguentou e começou a rir, e acabou esquecendo o texto, isto é normal acontecer? acaba se tornando muito engraçado e acredito que todo mundo se diverte muito com isso.
(03:37:54) Marco Luque: taty, lembro disso, de vez em quando acontece. Eu sou muito aberto e gosto de olhar para as pessoas, a Mary Help tem uma interação com a platéia. Quando acontece uma risada muito estrondosa eu interajo, mas quando volto acabo me perdendo. Aí peço ajuda da platéia. Gosto de improvisar, acho que o improviso enriquece e faz com que a platéia se sinta viva. Sempre que acontece algo como isso que aconteceu em Caraguá o público se sente bem e feliz por ter visto algo exclusivo.

(03:38:16) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Derek Sismotto/UOL)

(03:40:42) Marco Luque: Sobre criação dos textos: Eu tenho uma dificuldade com textos por isso escrevo em tópicos e as palavras vou achando na hora para que o personagem fique vivo naquele momento. Tenho muita ajuda do Robertinho, da Agnes e da Grace... O Robertinho me ajuda muito porque enquanto vou no tipo ele me ajuda a finalizar o personagem. Somente quando olho no espelho transformado com o personagem que eu vou saber como ele vai ser. Este mês estou fazendo o Garçom e a Dupla Sertaneja.

(03:34:16) MARY HELP: foi legal ter feito o episódio de Carga Pesada? Se não me engano era vc com um outro ator também de São Paulo. Eu adorei!
(03:42:30) Marco Luque: Mary Help, foi muito legal. Eu fazia o Moringa que era um policial disfarçado que estava infiltrado na quadrilha para descobrir os ladrões de caminhões. Foi dífícil, tive uma insegurança por ser um papel dramático. Mas gosto de projetos que não são apenas para comédia.

(03:34:36) Méri Rélpi: Marco, vc nunca pensou em convidar uma atriz pra fazer a namorada do Pepe? Ela parece ser mto chata!
(03:43:54) Marco Luque: Méri Rélpi, é uma idéia boa, nunca tinha pensando.

(03:37:55) Rodrigo Rossetti: Marco, como vc vê este cenário de peças de humor e comédia que estão acontecendo em Sampa. Tem peças quase todos os dias da semana... e enchem bares e teatros... O que pensa sobre a origem disso e o futuro...
(03:46:36) Marco Luque: Rodrigo Rossetti, tem todos os dias. Acho isso fantástico, demais. A Grace com a Terça Insana foi uma das precursoras deste movimento. Muitos grupos vieram depois com este formato. Lógico que isto está pelo mundo. Os ex-insanos foram fazer os seus grupos em outros dias da semana. Alguns estão fazendo monólogos fantásticos por aí. Tem muita coisa para se ver e espaço para todo mundo.

(03:49:05) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Derek Sismotto/UOL)

(03:39:48) Méri Rélpi: Tenho acompanhado os bate-papos da terça insana e tanto grace qto roberto falaram que uma das coisas mais importantes no grupo é o texto sem preconceitos, estereotipos. Como é trabalhar com isso? O q vc acha desses programas que estão na TV e fazem exatamente o q o grupo de vcs condena?
(03:50:31) Marco Luque: Méri Rélpi, acho lamentável que a TV tenha ido por este caminho. É um humor muito fácil e raso. A Grace me fez usar o humor para passar uma mensagem. É triste, porque nestes programas de humor da TV na maioria só tem preconceito. O bom do teatro é que ele permite isso que fazemos. A TV censura muito, por exemplo, o palavrão. E o palavrão é algo bastante cotidiano, que você usa num momento de emoção. Mas não fazer personagens preconceituosos e esteriotipados não significa que façamos alguma coisa politicamente correta. Pelo contrário, falamos mesmo, tudo, sem papas na língua.

(03:47:58) Luís Gustavo: Marco, e não teve medo de escolher o teatro como carreira??? É apenas impressão ou é realmente uma profissão muito instável?
(03:52:51) Marco Luque: Luís Gustavo, o teatro vem crescendo cada vez mais e é uma delícia fazer. Não tem nem comparação com a TV. A resposta é imediata, tem a forma e esta própria censura que não existe. Você vai se dar bem se fizer qualquer coisa que gosta, que seja com tesão. E acho que não existe mais essa de emprego estável. Talvez só o chefe, o dono da empresa ainda tenha um emprego mais estável hoje em dia.

(03:48:52) Rick RJ: Marco, o Terça Insana é um projeto memorável. Comparo às grande companhias da década de 80, que revelaram talentos como Diogo Vilella, Patricia Travassos, Cristina Pereira entre outros. Todos com notoriedade no futuro. Temos visto o Terça Insana já exportar talentos. E vc tem projetos fora do grupo em vista? Opinião minha: vc é um dos melhores em cena na atualidade e seus personagens são os melhores. O Silas, o motoboy e a empregada são impagáveis. Vc ganhou um fanzasso aqui no Rio!
(03:54:48) Marco Luque: Rick RJ, obrigadíssimo, muito legal. Recebo alguns elogios assim que me faz ter uma gama para continuar. Não tenho expectativas para o futuro, me encontrei no Terça Insana e estou adorando fazer. Claro que não estou fechando portas nem janelas. Convites surgem, mas não procuro o caminho mais rápido. Procuro o caminho onde eu tenha orgulho de mim mesmo. Então não tenho pressa, está tudo indo bem...

(03:57:55) Geovanna/UOL:

Clique aqui e veja Marco Luque como o Motoboy (Crédito: Derek Sismotto/UOL)

(03:51:50) diane: Tenho um amigo q trabalha com humor que diz que vc tem q ser meio deprimido pra sacar o engraçado, o humor da vida. O q vc acha disso? Acha que é um tipo específico de humor, que tira a graça de coisas deprês?
(03:56:20) Marco Luque: diane, isso acontece muito na comédia e especialmente com o Stand Up porque quem faz tem que se ridicularizar falando das coisas que acontece com ele próprio, se depreciando até. É como o Woody Allen. As vezes tenho vontade de pegar ele no colo e dar mamadeira, fazer carinho, de tanto que ele se auto-deprecia. É uma linguagem que acontece muito com o humor. A comédia é a verdade exagerada das piores coisas que acontece com você. Esta é a mágica, transformar a sua desgraça em algo cômico.

(03:52:56) Carol: Assisti a Terça Insana esse fds em Caraguá e percebi q vcs citam vários pontos da cidade durante a peça... achei mto legal... Como vcs fazem??? Vcs estudam a cidade antes???
(03:57:38) Marco Luque: Carol, estudamos para os personagens do Robertinho e da Agnes que é a mais politizada, fantástica. Buscando a história, as referências da cidade, dá uma empatia com o público.

(03:54:59) leca: Quando você faz o Silas e depois q ele está chapadão, você faz várias vozes de desenho animado, o meu marido delirou, todas as vozes que você fazia ele virava pra mim e falava qual era o personagem. Você já trabalhou com dublagem alguma vez?
(04:00:37) Marco Luque: leca, já trabalhei. Fiz muitas historinhas de desenhos infantis. Como histórias dos legumes, o chuchu, o abacaxi. Com o Silas eu faço a Hanna Barbera inteira... Faço isso há muito tempo, desde o colégio. A gente brincava de fazer desenho animado falando palavrão, chapado... Cenas que todo mundo quer ver mas nunca acontece.

(03:56:54) REIZÃO: Luque, vc acha que na TV o humor é diferente que o do Teatro?!?!?! E se você não acha que perde um pouco a graça na TV?? Pois no teatro o retorno é na hora!!
(04:01:51) Marco Luque: Reizão, para acrescentar, na TV o humor é muito instantâneo, tem que ser muito rápido. Os humoristas são resumidos em chavões e isto faz perder um pouco. Mas alguns programas estão investindo em talentos do teatro, levando comediantes que estão por aí fazendo sucesso. Acho que essa renovação vai ajudar a melhorar o humor e os programas desse gênero na TV.

(03:57:17) joana: Qual a personagem que vc acha que tem maior sucesso entre o publico? E das pessoas adotarem expressoes de vcs no cotidiano? PRA QUEEE???!!! parabens pelo seu trabalho já vi diversos personagens e vc tem que estar no próximo DVD da Terça Insana.
(04:03:32) Marco Luque: joana, a expressão "Pra queee???" é do Pepe. Se Deus quiser faremos o novo DVD Terça Insana no começo do ano.
(04:04:28) Marco Luque: Obrigadão...
(04:04:32) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Marco Luque e de todos os internautas. Até o próximo!

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