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03/08/2007 - 23h05

Marisa Orth fala de seus projetos na TV e no teatro, e critica comodismo brasileiro

Da Redação
Às vésperas da estréia do programa "Toma Lá Dá Cá", na Rede Globo, Marisa Orth agora se divide entre as gravações no Rio e as apresentações da peça "Fica Comigo Esta Noite", em cartaz em São Paulo. A atriz participou do Bate-papo UOL, neste sexta-feira (3), e entre uma risada e outra, aproveitou para alfinetar a política e o comodismo brasileiro. Segundo ela, existe um imobilismo colonial. "Somos muito burros, não queremos ter contato com a realidade."

Na entrevista a Marcelo Tas, a atriz comentou ainda sobre as gravações do novo humorístico e garantiu que a atração vai arrancar boas gargalhadas do público. Ela, que volta a dividir cena com Miguel Falabella, teme as comparações com "Sai de Baixo" e torce para que "Toma Lá Dá Cá", substitua o fenômeno Magda e Caco Antibes.

Num bate-papo cheio de bom humor, Marisa falou da sua estréia na TV, aos 26 anos, e revelou que tinha medo de não caber na tela.


Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 724 internautas.

(03:41:01) Marcelo Tas: bem-vindos, vamos começar!!!!!!!

(03:45:42) Marcelo Tas: Era você e o Carlos Moreno. Como foi que surgiu o convite para você participar daquela montagem?
(03:48:09) Marisa Orth: Eu tinha uma banda chamada Luni que era muito bacana e eu fazia uma peça da Marta Góes que é "Prepare Seus Pés para o Verão", eu fazia uma secretária, a dona Cacilda, e aí me chamaram para fazer "Fica Comigo Esta Noite". E estreamos onde é o atual Clube Glória. Virou um sucesso e foi muito legal. Ficamos seis meses e depois fomos para o teatro Maria Della Costa. Depois me rendeu convite para novelas, fiz a Rainha da Sucata... E agora 18 anos depois aconteceu de ela passar pela a minha frente de novo. Esta peça é muito boa e é um clássico do teatro brasileiro.

(03:49:39) Marisa Orth: "Fica Comigo Esta Noite" é uma comédia emocionante. O marido morreu e a esposa está lá... daí o morto levanta, meio Ghost, ela bota todos para fora e eles começam a conversar, numa despedida... Como quando acontece uma perda grande e você fica falando sozinha.

(03:52:39) Marcelo Tas: E a nova série de TV, Toma Lá Dá Cá, com o Miguel Falabella? O seu amigo Caco Antibes? Não tem receio de voltar aquela história da dupla inesquecível Magda e Caco?
(03:52:33) Marisa Orth: "Toma Lá, Dá Cá" é um projeto do Miguel Falabella. Já gravamos sete episódios e está engraçado. É muito gostoso trabalhar com ele. Eu sou casada com o Diogo Vilela. São duas famílias que moram frente a frente e a Adriana Esteves está casada com o meu ex-marido. Eu adoro o Sai de Baixo, mas ele não era exatamente um sitcom. Funciona esta coisa de família, mas pretendemos que tenha platéia, porém não visível, uma contraparede. É gravado com o público, mas também pode ser gravado sem. A gravação não é tão engraçada como o Sai de Baixo que era como uma peça.

(03:54:14) Marisa Orth: Me incomoda um pouco a comparação. Todo mundo fala que desde que vocês saíram não demos mais risadas. Então estamos comprando a briga de substituir o Sai de Baixo. Mas dá medo. Este fenômeno da Magda é mais forte para quem me vê, eu por dentro não acho tudo isso. Eu não sei se vou conseguir pegar as ondas que fiz com ela, mas acho que vai dar sim.

(03:50:44) Geovanna/UOL:

Marisa Orth e Murilo Benício em "Fica Comigo Esta Noite"

(03:54:30) Marcelo Tas: Dono do bordel fica na frente de Congonhas. O presidente do Senado vende vaca para um frigorífico que não existe. O presidente não sabia da crise aérea. A esculhambação já chegou no topo ou o buraco ainda é mais embaixo?
(03:59:20) Marisa Orth: Eu quero tanto que isso já tenha passado. Eu não sei que anestesia é esta, pois a gente não fica chocado. Isto que me choca. Esta capacidade de entubar que me choca. Eu lamento, mas não sei. Eu acho que tem a ver com o conservadorismo brasileiro. O brasileiro é profundamente conservador e tem muita dificuldade de mudar. Ele é um saudosista ou passadista, uma herança dos colonizadores. Aquilo do deixa estar como está. Só se é famoso e adorado no Brasil quem está morto, também tem isso. Acho que existe um imobilismo meio colonial. Parace que o Brasil sempre viveu à beira do fim do mundo, a gente não acredita no futuro. Nós não fazemos o futuro, não nos preparamos. Entre o presente e o futuro existe um fosso, um portal, um céu, talvez algo católico, talvez tenhamos que morrer para chegar ao céu. É ignorância nossa, somos muito burros e temos preconceitos com gente prática que fala a verdade. Não queremos ter contato com a realidade, não acham bonito.

(03:29:05) Kamillo - Bahia: Gostaria de saber o que vc espera dessa nova atração na globo ??
(04:01:23) Marisa Orth: Kamillo - Bahia, é muito engraçado. Tem a Copélia que a Arlete Salles faz, ela é totalmente marginal, é moderna, vai para a micareta e fica com oito. É mãe da Adriana Esteves e sogra do Falabella. Este projeto do Miguel é antigo, já havia ido para o ar. Foi bem, mas ficaram na luta para entrar na grade. E agora ele estréia terça-feira.

(03:54:33) Geovanna/UOL:

Marisa Orth e Murilo Benício na peça "Fica Comigo Esta Noite"

(03:45:25) paulo: Marisa, você andou um pouco sumida da globo. Você tem se dedicado mais ao teatro ?
(04:02:40) Marisa Orth: paulo, acho que sim, depois do Sai de Baixo pareceu que eu estive sumida. Mas fiz duas novelas depois, o "Agora que São Elas" com a Van Van e a "Bang Bang".

(03:47:35) camila: oi Marisa, tudo bem? Como está indo a peça? pq resolveu montá-la novamente?
(04:04:02) Marisa Orth: camila, a peça está ótima. Eu havia sido convidada para fazer a peça "O Marido Ideal", mas eu disse que não. E quando soube que a "Fica Comigo Esta Noite" não era eu que ia fazer quase tive um chilique. Tinha que ser eu.

(03:54:15) escravo da Marisa: em "como fazer um filme de amor" vc faz uma vilã adorável, vc gostaria de ter alguém como o personagem do Abujamra? Que era totalmente dedicado a vc?
(04:05:22) Marisa Orth: escravo da Marisa, era Adolf, era um dupla onde brincam de toureiros e chavões de tudo. A minha personagem bate nele. Eu não gostaria de ser esta personagem, acham que eu sou uma dominadora, mas não sou.

(04:06:28) Geovanna/UOL:

Marisa Orth e Marcelo Tas no Bate-papo UOL (crédito: Eduardo Piagentini/UOL)

(03:56:49) Fan de argentina: oi marisa vc e uma atriz com muita presença e expressao. uma vez te vi pessoalment eu disse: nossa! ela fazendo uma vilã sera td de excelente? vc sente falta de fazer algo mais denso?
(04:07:14) Marisa Orth: Fan de argentina, os atores sempre sentem falta de alguma coisa, se está fazendo comédia quer fazer um drama... O personagem de "Fica Comigo Esta Noite" é bem exigente. Fiz um filme agora que se chama "Maré, Nossa História de Amor", um musical inspirado na favela da Maré no RJ. Eu faço um personagem bem bacana. Mas calma, que vocês ainda vão me engolir. Eu vou ficar velha e vocês vão me engolir.

(04:08:17) Marisa Orth: Sobre personagens: Eu queria fazer uma tragédia grega. Eu gosto de fazer drama, acho mais próximo o humor e a tragédia. Papel de louca eu nunca fiz...

(03:58:12) Queridinha: Qual a diferença que você sente dessa montagem para a primeira? Quem é melhor o Murilo ou o Carlos Moreno?
(04:10:01) Marisa Orth: Queridinha, não existe isso. Os dois são bons. E são muito diferentes. Naquela época eu não sei que cara-de-pau que eu tive de falar sobre casamento e morte, eu só tinha 23 anos. Foi um momento do teatro muito interessante. Hoje a direção é do Walter Lima Jr. e eu estou gostando muito de trabalhar com ele e o Murilo Benício.

(04:10:07) Geovanna/UOL:

Marisa Orth conversa sobre a nova montagem de "Fica Comigo Esta Noite" (crédito: Eduardo Piagentini/UOL)

(04:00:27) Rita: oi, Marisa sinto falta de te ouvir cantando... adorei a participação daquele teu grupo (não lembro agora o nome, desculpa) naquele CD em homemagem ao rei... vcs cantaram Cavalgada! muito bom!
(04:14:02) Marisa Orth: Rita, é o Vexame. Eu quero cantar, nós fizemos shows com o Vexame no final do ano passado. São oito pessoas e demora um mês para marcar um ensaio. Então é uma questão de job ou hobby. Temos arranjos sofisticados, estilos, o figurino e coisinhas, por isso tudo é complicado. E também que a MPB se misturou um pouco com a nossa proposta. Eu penso em cantar sozinha, mas não sei cantar fora da personagem, tenho vergonha. Lá eu imito uma cantora. Penso num show com música black e de homem e de mulher. Música de mulher é aquela que discute a relação e a de homem é a do tipo manter a minha fama de mal ou de dor de corno. São nuances.

(04:14:57) Geovanna/UOL:

Marisa Orth em apresentação da Banda Vexame (arquivo Folha Imagem)

(04:02:23) Sergio Altit: Marisa, conheço vc desde pequena e sei de todo seu potencial, não apenas artístico mas intelectual tb...alias, é isto que quero saber, quando é que vc vai fazer um papel protagonista onde se enfatize sua inteligência, que, sei eu, vc tem de sobra???
(04:16:26) Marisa Orth: Sergio Altit, querido, meu amigo de infância e do meu irmão. Não precisa, o papel que eu mais brilhei e foi uma lição de vida foi de uma burra e isto foi tão espetacular. Se achar inteligente é uma coisa tão exibida, isto foi uma lição que aprendi com a Magda. Para fazer um personagem burro tem que usar a inteligência também.

(04:02:48) G@TTOpg: Adoro seu trabalho, gostava muito quando vc fazia sai de baixo junto com o Falabella, muito engraçado, este programa veio para ficar ou apenas uma temporada??
(04:18:13) Marisa Orth: G@TTOpg, queremos que seja para ficar, mas terá o teste da temporada para ver se pega. Mas eu acho que será para ficar, o elenco está muito bom.

(04:06:59) Rachel: Marisaa! Depois de Luni e Vexame, vc tem algum outro projeto musical? Pq uma vez vc disse q tava c/um projeto de fazer um showzinho próprio... ainda pretende fazer?
(04:18:44) Marisa Orth: Rachel, vamos ver se sai este projeto. O Vexame está sempre lá, hibernando.

(04:19:19) Geovanna/UOL:

Marisa Orth conversa sobre a estréia de "Toma Lá, Dá Cá" (crédito: Eduardo Piagentini/UOL)

(04:11:05) Menino malvado: Marisa sou um grande fã seu, vc se formou pela Usp não é isso?
(04:23:37) Marisa Orth: Menino malvado, eu me formei pela EAD que é um curso técnico da USP. Não é a ECA, Artes Cênicas. Durante este curso eu me formei em psicologia na PUC e o final desta faculdade foi difícil. Eu clinicava dentro da faculdade. Comecei com família, três crianças com queixa de agressividade, e eu ficava observando e anotando tudo para passar para a supervisora. Eu ficava muito angustiada. É muito difícil, por isso dou muito valor ao psicólogo. Eu faço terapia, fiz um tempão, parei um tempão, mas sempre volto. Tem uma frase que diz que artista tem que ter terapeuta assim como o atleta tem que ter fisioterapeuta. Se leva muita cacetada para o bem e para o mal. Fazer um personagem é exigente. E para relaxar do personagem eu tomo banho, desperdiço muita água.

(04:11:13) Luz da Lua - M: em primeiro lugar parabéns pela bela atriz, existe algum projeto para esta peça estar a ser apresentada cá em portugal?
(04:24:37) Marisa Orth: Luz da Lua - M, existem projetos e vontades. O projeto no ano passado viajou pelo Brasil todo. O Falabella fez um turnê linda aí. Para fazer temporada tem que ser pelo menos um mês, mas tanto eu como o Benício temos filhos pequenos. Mas vale a pena, Portugal é lindo.

(04:24:57) Geovanna/UOL:

Marisa Orth conversa sobre seus projetos na TV e no teatro (crédito: Eduardo Piagentini/UOL)

(04:13:19) Amadeus: Marisa, Fazer TV realmente é indispensável na vida de um ator? Você acredita que pelo fato de novelas e séries serem obras abertas a possibilidade de criação fica limitada do que no cinema e teatro?
(04:26:46) Marisa Orth: Amadeus, sim, mas acho que não é indispensável não. Dá para ser ator sem trabalhar para a televisão. É possível vender latas de ervilha sendo ator. Mas não significa que se vai ficar automaticamente rico. Não acredito que seja tão determinante. Eu aprendi e gosto de fazer TV. No começo eu tinha muito medo, comecei a trabalhar com 18 e fui pegar o teatro com 26. Eu tinha medo de não caber na tela, não gravar. Quando vi que dava foi um alívio. Acho que todo o ator tem uma imagem meio distorcida. Trabalhar na TV é muito gostoso. E ficamos bonitinhos, eles fotografam bem.

(04:17:33) Cons. Lafaiete MG: Marisa, vc gosta de fazer novelas? Uma vez que a Nicinha de Rainha da Sucata foi um divisor de águas - acredito eu - na sua carreira. É verdade que muitos atores não gostam de novelas, apesar de terem grande popularidade através delas?
(04:29:04) Marisa Orth: Cons. Lafaiete MG, isso é uma dificuldade. Novela é um grande produto brasileiro. Apesar de ter feito por seis anos o Sai de Baixo eu nunca fiquei tão famosa quanto como fiz a novela Rainha da Sucata. Novela das oito é todo dia e isto é bom. Mas é como se alistar para o exército. Hoje está cada vez mais difícil, elas exigem cada vez mais tempo, tem que estar disponível o tempo inteiro. Geralmente nós nem conseguimos ver a novela... Ela tem que ir para o ar. Passam o texto até por telefone. É muito puxado e os textos agora estão saindo em cima da hora por causa da pesquisa de opinião.

(04:32:17) Geovanna/UOL:

Marisa Orth conversa com Marcelo tas no Bate-papo (crédito: Eduardo Piagentini/UOL)

(04:22:56) Willian Nogueira: Quando vc saiu na Playboy, vc disse um comentario que VOCÊ NÃO É BONITA, MAS É GOSTOSA!!! Esse comentario continua ou vc ja vai mudar ele??
(04:34:11) Marisa Orth: Willian Nogueira, agora eu sou bonita e gostosa. Obrigada, espero que você goste de mim. Na Playboy foi bacana, eu entreguei editado e me cerquei de uma equipe muito boa. Eu queria que se o cara pendurasse o pôster em seu quarto, ele não virasse automaticamente uma borracharia. Mas eu tive muita dificuldade para tirar as fotos, era um desespero. Sabe quando se fica com alguém e tem que se levantar da cama para pegar um cigarro, só tem que dar três passos, mas a perna não vai, é uma vergonha óssea, o músculo não responde. Depois do começo dos ensaios você relaxa, fica pelada horas... Também tem que depois que sai a revista, tem as pessoas que você não tinha pensado que iam ver, como a mãe do namorado. Foi um recorde de corridas às bancas, mas acho que depois teve uma decepcionada básica. Eu não queria que fosse meio borracharia, como fazendo cara de quando se está transando. Ficou estético e bonito. Eu fiz muita ginástica para fazer, fiquei esquálida.

(04:28:07) Darconian: Marisa Orth como está sendo trabalhar com o Miguel Falabella mais uma vez?
(04:34:58) Marisa Orth: Darconian, é um prazer, eu o adoro. Ele é raro e muito inteligente. Está escrevendo muito bem e eu gosto muito. A gente bate bola, "fomos casados seis anos" e a gente tem uma atividade cênica.

(04:29:41) Menino malvado: Na minha opnião nos EUA é mais fácil o ator sobreviver e fazer sucesso do que aqui, acho que lá e na Europa eles são mais valorizados, e não há aquele preconceito que há aqui de quem canta não atua e quem atua não canta. Vc concorda comigo? Pq?
(04:36:12) Marisa Orth: Menino malvado, eu não acho, lá a vida é mais valorizada, valorizam o cidadão, como pedreiro, o médico, o professor. Lá o show bizz move mais dinheiro, é um mercado que move muito dinheiro.

(04:30:17) Gabryella-Bahia: É preciso ter muito senso de humor para ser atriz e trabalhar bem. Onde vc encontra tanto para trabalhar com tanta "perfeição"?
(04:37:30) Marisa Orth: Gabryella-Bahia, obrigada. Senso de humor ajuda bastante. Mas não precisa, cada um vai com o senso que tem. Eu encontro forças na vontade de ser amada, é carência. Hoje me sinto amada cada vez mais e que tem um prestígio começando a aparecer. É gostoso saber que eu vou a um lugar e tenho amigos. Eu sinto muito mais carinho, afeto e respeito do público. E isto vale muito mais, é maravilhoso.

(04:38:29) Marisa Orth: Estou com a peça "Fica Comigo Esta Noite" de sexta, sábado (duas sessões) e domingo. Um beijo, tchau.

(04:39:00) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Marisa Orth e de todos os internautas. Até o próximo!

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