29/06/2007 - 22h59
Tom equilibrado entre comédia e drama é tônica de "A Graça da Vida"
GEISA AGRICIO
Da Redação
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Divulgação
Nathalia Timberg e Graziella Moretto vivem mãe e filha
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"A Graça de Vida", peça que fica em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo, a partir de sexta (29), trata da emoção em equilíbrio com o riso - por meio de frases espirituosas. Ou, por outra ótica, parte do humor que não perde a humanidade, de acordo com a definição que o diretor Aimar Labaki dá ao gênero de comédia dramática nova-iorquina que fundamenta a montagem.
O texto da americana Trish Vradenburg aborda as sutis contradições e superações da relação entre Kate Griswald (vivida por Graziela Moretto), bem sucedida roteirista de sitcom, e sua mãe Grace (Nathalia Timberg), que se incomoda com a conturbada vida amorosa da filha. A controversa ligação familiar ganha novos rumos quando Grace desenvolve sintomas de Mal de Alzheimer e é tratada por Dr. Sam (Emílio Orciollo Neto), não por acaso, pretendente de Kate.
É justamente a costura do texto, até que se coloque vivo na ação das personagens, num trabalho de "alfaiataria" que Labaki busca para dar ponto de partida à tríplice função que desempenhou no espetáculo: traduzir, adaptar e encenar, como já havia feito em "Prego na Testa", de 2006.
"Paulo Autran começou a adaptação, mas teve que deixar o projeto de lado quando estreou 'O Avarento'. Como sou essencialmente um dramaturgo, que venho tomando mais gosto pela direção, não resisti a ir até o original destrinchar o texto, mesmo tendo sido brilhante o trabalho ao qual ele deu início", afirma Labaki.
O diretor conta que sua grande preocupação foi traduzir a essência dramática do típico humor racional e sarcástico norte-americano - segundo ele bastante distinto do brasileiro que é mais irônico e corporal - sem perder o sentido na boca dos atores e nos olhos do público nacional.
"Quando li o texto pela primeira vez eu estava grávida, e fiquei muito mexida. A mãe da autora morreu de Ahzeimer, então o texto tem um lado autobiográfico que o torna ainda mais tocante. O Ahlzeimer é cruel, afinal a memória (afetada pela doença) é aquilo que nos torna humanos, a vida existe enquanto há lembranças. Mas a peça é uma comédia dramática e, por isso, tem um senso de humor muito ágil, refinado, fruto da inteligência das personagens", avalia Graziella Moretto, que além de protagonista, vive nos bastidores o papel de produtora, depois de passar quatro anos com o projeto arquivado em busca de patrocínio.
A Graça da Vida
QUANDO: Sextas, às 21h30; sábados, às 21h; domingos, às 18h. Até 30/9
ONDE: Teatro Vivo (av. Dr. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo). Informações: (11) 3188-4141
QUANTO: R$50