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19/03/2007 - 10h09
Popularidade de "Chaves" atravessa décadas no Brasil e vira livro


Omar Lugo
Rio de Janeiro, 19 mar (EFE).- Três décadas após ter ido ao ar
pela primeira vez em seu país-natal, o México, o seriado "Chaves"
mantém quase intacta sua popularidade no Brasil, onde um novo livro
procura explicar as causas do sucesso deste clássico
latino-americano.

As reprises dos episódios originais de "Chaves", o programa mais
famoso da TV infantil mexicana, são transmitidas diariamente desde
1984 pelo "SBT", mantendo um razoável índice de audiência na faixa
horária com maior número de espectadores.

Em 2004, o "SBT" deixou de exibir a série e provocou um incomum
protesto do público, com abaixo-assinados e milhares de cartas,
forçando a emissora a recolocá-lo em sua grade de programação.

"Chaves de um Sucesso" é o título do livro do jovem jornalista
Pablo Kaschner, publicado este mês pela editora Senac Rio.

O título é um trocadilho e traduz o esforço para explicar como -
em tempos de alta velocidade, nos quais a ingenuidade é um bem em
extinção até em muitas crianças - uma série de "humor branco" como
"Chaves" continua fazendo sucesso.

O autor do livro disse que "Chaves" é o único seriado que é
igualmente famoso e querido no Brasil e na América de idioma
espanhol.

"Em um momento em que tanto se fala de integração, é um programa
que 'sem querer, querendo', alcança esta incumbência", disse
Kaschner, que em seu livro analisa o seriado como fenômeno
comunicacional.

As figuras destes adultos vestidos de crianças, com seus diálogos
muitas vezes absurdos, continuam presentes na "Vila", cujos cenários
fazem parte da memória afetiva da infância de milhões de
latino-americanos.

No Brasil, "Chavesmaníacos" de todas as idades participam de
fã-clubes e freqüentemente organizam encontros, atualmente
facilitados pela internet. Em várias cidades do país, costumam
reunir-se para rever capítulos, trocar peças de coleção ou
simplesmente cultuar a infância que já se foi.

"Um dos trunfos de 'Chaves' é sua simplicidade, e o simples não é
algo fácil. É aí que está o detalhe", disse Kaschner.

A tecnologia e suas distrações estão presentes por todo lado,
"mas, no fundo, as crianças de hoje não são muito diferentes das dos
anos 70, quando o seriado começou a ser um sucesso. Talvez isso
explique o fato de fazer sucesso também em uma geração que cresceu
em meio a um ambiente 'high-tech'", afirma.

Kaschner apresenta uma descrição minuciosa dos personagens
criados pelo mexicano Roberto Gómez Bolaños, conhecido pelo apelido
de Chespirito, que também encarnou Chaves e o também famoso
Chapolin.

Também aparecem no livro os personagens Seu Madruga, Quico,
Chiquinha, Dona Florinda, Professor Girafales, Bruxa do 71, Senhor
Barriga e Nhonho.

Chapolin mereceu um capítulo à parte no livro, falando de outro
sucesso de Bolaños no Brasil que atravessa gerações.

"O Chapolin é mais um anti-herói. É franzino, sente medo, sabe
que não é invencível e gosta das mulheres", observa Kaschner.

"Talvez por tudo isso seja mais herói que os super-heróis
tradicionais, que sabem que são invencíveis. É fácil lutar contra o
mal sabendo que os tiros não podem lhe ferir", disse.

É claro que os inimigos de Chapolin não são tão perigosos e, por
vezes, são tão atrapalhados quanto o próprio gafanhoto em tamanho de
pessoa. Todos os vilões estão no livro, entre eles Tripa Seca, Quase
Nada, Pirata Alma Negra e a Bruxa Baratuxa.

As duas séries tiveram várias alterações de horário ao longo dos
anos, mas sempre há um público novo descobrindo as cômicas aventuras
de seus personagens. Estes jovens espectadores se juntam aos
nostálgicos adultos e aos fãs incondicionais de sempre.

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