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04/10/2006 - 17h20

Marcelo Cidade, Superflex e Zamora têm obras vetadas na Bienal

da Redação

Divulgação

Guaraná Power do grupo dinamarquês Superflex

Guaraná Power do grupo dinamarquês Superflex

Três artistas que participam da 27ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, que tem abertura para o público no sábado, dia 7, no Ibirapuera, tiveram de modificar suas obras por diferentes motivos para participar da mostra: o brasileiro Marcelo Cidade, o mexicano Hector Zamora e o grupo dinamarquês Superflex.

Marcelo Cidade diz que pretendia inicialmente instalar seis bloqueadores de celular em todo o pavilhão da Bienal, para impedir ligações em todo o prédio. Segundo Cidade, o departamento jurídico da Fundação Bienal restringiu a instalação a apenas um bloqueador, com raio de ação de 20 metros, por entender que o bloqueio dos celulares em todo o pavilhão cerceava o direito de os freqüentadores usarem seus telefones.

Segundo Cidade, a Bienal alegou que a instalação impedia a liberdade de comunicação dentro do prédio, e a instituição poderia ser processada por isso. O artista pediu à Fundação uma carta que explicitasse o motivo da restrição, mas diz que ainda não recebeu o documento.

Procurado pelo UOL, o presidente da Fundação Bienal, Manoel Pires da Costa, informou, através de sua assessoria, que não pretende se manifestar sobre o caso.

O artista Hector Zamora foi impedido de realizar uma obra que previa a colocação de aguapés no lago do Ibirapuera. Apesar de o projeto prever que as plantas estariam contidas em estruturas que supostamente conteriam sua proliferação, a obra foi vetada pela direção do parque, com base num parecer da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Segundo Renier Marcos Rotermund, diretor de Manejo e Conservação dos Parques, o projeto poderia colocar em risco o equilíbrio ambiental do lago, por ser propício à infestação pelos aguapés e mosquitos que se reproduzem nestas plantas.

O mexicano exibirá, no pavilhão da Bienal, uma série de fotos e desenhos e um vídeo -feito em colaboração com as artistas brasileiras Lúcia Koch e Marilá Dardot- que documentam a feitura do projeto, sua apresentação e proibição, e uma performance em São Vicente, litoral do São Paulo, em que câmaras de pneu vazias foram colocadas no mar no último dia 1º.

Os dinamarqueses do Superflex são conhecidos pela apropriação de marcas e logotipos famosos. No Brasil, o grupo pretendia fazer garrafas de guaraná copiando a garrafa de uma marca famosa, seu rótulo e engarrafando nelas um guaraná de produção própria. Sobre o rótulo "original" aplicariam a etiqueta "Guaraná Power". O grupo diz ter sido impedido de exibir este projeto.

O Superflex protestou e fez circular pela Internet um manifesto. Exibe também em seu site o projeto do "Guaraná Power" e promoveu, na noite do último dia 3, uma intervenção na Galeria Vermelho, em São Paulo, distribuindo latas de bebida com tarjas pretas.

Em entrevista coletiva na quarta, 4 de outubro, o presidente da Bienal, respondendo a uma pergunta sobre o impedimento ao projeto, disse que pessoalmente acha o trabalho "de mau gosto, mas que não interferiria pessoalmente em questão curatorial". Segundo Pires da Costa, "o departamento jurídico da Fundação considerou que a Bienal não é o palco adequado para discutir relações de caráter comercial".