
Danilo Miranda: "A Bienal sempre foi um momento de celebração"da Redação
O sociólogo e diretor regional do Sesc SP Danilo Santos de Miranda, 63, conversou com o UOL no dia 18 de julho de 2006 e falou sobre suas lembranças da Bienal.
Natural de Campos (RJ), Miranda relembrou sua chegada à cidade de São Paulo, em 1964, e as primeiras bienais que visitou, nos anos 70. Leia abaixo a íntegra do depoimento: DANILO MIRANDA 18ª Bienal - 1985 Desde o início dos anos 1970 eu freqüento todas as bienais. Desde o tempo que eu moro e vivo aqui em São Paulo. Eu vim para cá em 1964, mas a partir dos anos 1970 é que eu me envolvi mais diretamente com o mundo da cultura e das artes e passei a freqüentar mais diretamente as bienais. Uma Bienal que me chamou muita atenção foi no ano de 1985, foi a 18ª, com o trabalho da Marina Abramovich, uma performance, em que ela e o marido ficavam horas de frente um para o outro, simplesmente ali, parados numa mesa, olhando, trazendo aqui a idéia da perplexidade, da reflexão, da vida, digamos, meio contemplativa e ao mesmo tempo intensa, porque faziam isso de uma maneira, digamos, muito expressiva. Para mim, a Bienal sempre foi um momento de grande significado, exaltação, celebração. De um lado, nós temos essa questão da vinculação com o mudo das artes, tudo que ele representa, tudo que ele traz de proposta, de transgressão, de provocação, de afirmação, enfim de posições, de idéias, de visão de mundo etc, que é o típico momento do artista. E, por outro lado, também, um momento de informação para a população, para as pessoas pouco informadas nesse mundo um pouco periférico onde nós vivemos, de certa maneira, na medida em que nós temos menos contato com todas as escolas, correntes, idéias, propostas, que estão ebulindo, que estão acontecendo neste momento. Exaltação e educação Nós não temos a mesma quantidade de museus que alguns países do mundo têm, a mesma quantidade de artistas reconhecidos e com obras consolidadas, como outros países têm --(países que) pelo menos trabalharam nessa direção durante tantos anos, formando uma cultura realmente muito sólida e poderosa. Nós não temos isso tão forte na nossa realidade, embora tenhamos isso de verdade com identidade, com força, mas sem dúvida nenhuma que esse diálogo entre o que nós produzimos e o que nós vemos --como nós vemos o mundo-- é fundamental. É fundamental ter esse confronto, essa verificação com os demais em outras partes do mundo. Então, (Bienal) é exaltação, é celebração, mas é ensino, é proposta de educação, é informação sobre aquilo que a gente não tem. Por exemplo, os antigos espaços museográficos da Bienal sempre tiveram papel fundamental para a informação básica de nomes que nós não temos a oportunidade de ver com a freqüência que os outros têm. Influência institucional Imaginar uma Bienal de São Paulo com o aporte público que tem por trás --o seu prédio de caráter público, recursos de caráter público-- e a colaboração de muitas empresas privadas também, exerce um papel fundamentalmente importante no campo da educação, no campo educativo portanto. Então as instituições que tenham vínculo de caráter público, como é o nosso caso também (no Sesc), têm uma conexão muito próxima, então há influência não apenas no modo de fazer, mas em como fazer, o que fazer. A capacidade de estabelecer novos parâmetros, novos caminhos, novas idéias que são trazidas, a coragem de abordar novas temáticas, de trazer a problemática efetiva do mundo de hoje trazem para gente uma força muito grande na democratização do aceso, na facilitação da informação, na capacidade que existe de poder transmitir informações de uma maneira não apenas criativa, mas de uma maneira provocativa. Eu acho que a arte tem como principal função, a provocação. A provocação para transformação, para mudança, para melhoria ou para simplesmente conscientização de fatos e questões relevantes para a sociedade. |
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