
Gilda Mantilla e Raimond Chaves desenham Brasil pela margemDa Redação
Gilda Mantilla e Raimond Chaves trabalham atualmente nas próximas exibições integrais das séries "Dibujando América" e "Dibujando B?", séries que apresentam em parte na 27ª Bienal Internacional de São Paulo, em cartaz até dia 17 de dezembro. Estão envolvidos em novos projetos, que prevêem a participação de outros agentes e se realizam em espaços públicos, ruas, em que os passantes são convidados a participar das obras. Com este objetivo, estarão nos próximos meses no Peru, na Colômbia e na Eslovênia.
Gilda Mantilla nasceu em 1967, em Los Angeles, EUA, e vive e trabalha em Lima, Peru. Formou-se em pintura na Pontifícia Universidade Católica de Lima. Em 2003, fez parte da representação peruana na Bienal de Veneza. Seus trabalhos já foram expostos na ARTEBA (Feira de Arte Contemporânea) de Buenos Aires, Argentina; na ARCO de Madri, Espanha; no Festival de Culturas de Sevilha, Espanha; no Palais de Tokyo de Paris, França. Raimond Chaves nasceu em 1963, em Bogotá, Colômbia, e vive e trabalha em Bogotá e Barcelona, Espanha. Formou-se em Artes na Universidade de Barcelona. Em 2006, fez parte da Bienal de Arte Leandre Cristofol, de Lérida. Suas obras já foram exibidas na Bienal de Praga, na República Tcheca; no Centro de Arte Santa Monica, em Barcelona; no Centro Andaluz de Arte Contemporânea de Sevilha. Em entrevista ao UOL, a dupla comenta a Bienal de São Paulo Dibujando América y Dibujando B... Na presente Bienal de São Paulo mostramos desenhos provenientes dos projetos "Dibujando América" e "Dibujando B...", duas propostas de desenho associadas a viagens pela parte sul do continente americano. Em ambos projetos, nosso método de trabalho foi similar: viagem e desenho nos serviram como ferramentas de conhecimento sobre um contexto determinado e também como formas de trabalho em movimento. A série "Dibujando América" corresponde a uma viagem entre Caracas e Lima que realizamos entre maio e setembro de 2005. Durante os 100 dias de duração da viagem, recorremos as estradas da Venezuela, Colombia, Equador e do norte do Peru, desenhando, fotografando, gravando sons, coletando imagens próprias e alheias, lendo, deixando-nos retratar por artistas de rua e realizando algumas atividades públicas. Ao regressar ao ateliê, continuamos e ampliamos as séries, desenhando a partir de nossas recordações, anotações, arquitos. O resultado foi um conjunto bastante eclético de material gráfico: libretos de desenho, desenhos sobre papel em formatos médios, murais, além de outros materiais que ainda não pudemos mostrar. O Brasil visto da margem O segundo grupo de desenhos tem como título "Dibujando B?" e responde diretamente ao convite que nos fez a Bienal, pedindo-nos que desenhássemos o Brasil. Por onde começar? Como lidar com o desejo de alguém que quer que você desenhe algo? Seria boa idéia começar a desenhar o Brasil do Peru? Nesta ocasião realizamos uma viagem que nos levou - de diversas maneiras- de Lima ao Amazonas e navegando por ele até a tripla fronteira peruano-colombo-brasileira passando por Nauta, Iquitos, Santa Rosa, Leticia e Tabatinga. A viagem foi o veículo para desenhar o que pudéssemos ir encontrando de Brasil no trajeto. Quer dizer que viajamos até a borda do Brasil, nos aproximamos dele e desenhamos, mas ficamos ali, sem atravessar o limite. Toque Criollo Raimond Chaves também está mostrando na Bienal seu trabalho "El Toque Criollo", um relato articulado em torno de imagens de capas de velhos LPs conseguidos em mercados de pulgas na América Latina e no Caribe. Elas servem para abordar assuntos culturais, sociais e políticos, entre outros, do contexto latino-americano. Este relato se apresentou em duas versões: como grupos temáticos de capas nas paredes do pavilhão e como seminário que ocorreu no dia 10 de outubro no porão das artes da Bienal. Experiência in Vitro Pensamos que o lema "Como viver junto" funciona melhor se tomado como pergunta que como afirmação ou constatação. É claro que pelo menos os artistas selecionados para a 27ª Bienal e nossos respectivos trabalhos sim podemos viver juntos. Por outro lado, o mundo é cada vez menos vivível e não sabemos até que ponto nossa experiência "in vitro" possa aplicar-se ou servir de guia. "Como viver juntos" encerra uma boa intenção ou algo mais neutro, algo como uma predisposicião. Talvez, diante do estado atual do mundo, isso não seja suficiente e o que de verdade valha a pena pensar é se se pode viver de outras maneiras. Artistas em sintonia A seleção feita por José Roca e da qual fazemos parte nos coloca em uma mesma sintonia com um grupo de artistas. Não tanto porque nossos trabalhos sejam similares ou parecidos, mas porque com eles se pode tecer um mapa complexo de sentido, dadas as diferentes aproximações conceituais e formais de um mesmo corpo de preocupações. Destacaría dois casos com os que podemos estabelecer coincidências entre nossas propostas. O trabalhar a partir de sentir-se estranho, alheio e fascinado por um contexto do qual alguém é absoutamente alheio, como mostram os desenhos de Susan Turcot. E a capacidade de Maria Galindo de enlaçar toda uma série de questões não resolvidas que vêm da Bolívia dos últimos séculos. Neste caso, nos sentimos próximos ou melhor invejosos de sua capacidade de dissecção e do volume e alcance de sua voz. |
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